te escrevo como quem sussurra ao ouvido uma verdade tola. sinto sua falta. poderia ser. mas passou. o tempo fez a curva e seguiu esquina à fora. não volta. perdi no fio de esperança. era a fagulha do incêndio em mim. desenho histórias de uma vida sonhada. são rabiscos infantis. imaturos de um passado podado antes da hora. você foi. deixo tudo assim, nos mesmos lugares. não sei lidar com o novo. me perco nos sentidos. no tato. um hematoma no descaso. piso torto, esbarro nos móveis do meu vasto cômodo interno. minhas gavetas seguem desorganizadas, puro reflexo da minha verdade. acumulo pequenas coisas insignificantes. rasguei as fotos. doei os livros. vou levando assim. a memória intacta. a pele vacila.

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