espero a surpresa que não vem. então eu foco nos gestos, na mão que corre pela minha cintura e no jeito distraído que me olha enquanto eu finjo não perceber. fico com o beijo que me dá na cabeça e com os suspiros de quando eu me aproximo. e eu espero a surpresa. espero o ato que, de tão nobre, me sustente no silêncio e eu chore por sentir a vida brotando nos olhos. ele ainda me vê, de alguma maneira ele me vê. eu sei. eu sinto. e isso também é de lágrima. vou mantendo a espera, o cuidado do tempo que cabe na espera. porque eu pertenço aos que aguardam com alguma ansiedade o sinal dos que não sabem lidar com o amor.

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