estou vivendo o tedioso momento do desamor. aquele tempo. aquele maldito tempo em que você, pessoa rejeitada, sofre dia sim-dia não, intercalando com seus compromissos nobres ou nem tanto a necessidade de parar - inerte - encarar o teto, o chão, ou qualquer ponto que fixe o olhar caído e pensar profundamente: fui rejeitado. manter essa constatação latente também é tarefa dos que vivem o desamor. a rejeição é o prato feito para se instalar - sem esforço - a depressão que antes, sem um aparente motivo, não se sabia legitimar. vivo o momento cretino, estafante e preguiçoso do desamor. ainda nos dias, enquanto luto entre a abstração completa e o foco do sofrimento, deixo minhas olheiras ganharem um tom acentuado, o que me põe enquadrada no papel do doente de amor. o desamor é, de certo, uma doença. então oscilo ora equilibrada, ora descompensada. me pertence a desorientação. é comum nestes tempos em que além da rejeição - palavra dura mas muito respeitada - me sinto (ainda) uma rancorosa sem afeto algum. não tento o convívio e tampouco espero pela caridade alheia. aos que sabem o desamor, nos cabe apenas o deslocamento por tempo indefinido.

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