minha infância revisitada. foi aquela cena. no susto volto aos seis, quando rabiscava na rua. as minhas formas riscadas no asfalto puíam na madrugada. meu giz de curto prazo. que dor é minha dor da infância. de repente, nostalgia. naqueles dias eu vivia de pé no chão. guardo resquícios. minha sola é grossa, perco unhas em topadas. mas havia em mim um lirismo de chorar. minhas tranças dramáticas e meu cheiro de alfazema. ainda guardo as cicatrizes. e mesmo naqueles dias, o traçado da felicidade me contornava o corpo sem fazer mistura. eu e as delicadezas do mundo num passo-a-passo, nas curvas perfeitas do meu giz. meus cachos ainda adornam. e zonzo em sorrisos quando cambaleio no impulso e vejo brilhos cintilantes piscando nos olhos. gliteres nos meus olhos. eu era de alegrias. ah! eu era. mas a felicidade, essa me contornava clandestina.

Nenhum comentário: