peço a estranhos que me falem de amor e eles falam sem pudor algum. há em mim uma sensibilidade que não cessa. meu útero me aponta minha condição de mulher; minha ancestralidade pesa, não por tragédia, mas por drama. e eu enceno minha lucidez com perfeição. há em mim uma vontade romantizada que não cessa. e toda vez que sangro a carência se instala e acentua minha solidão. peço a estranhos que me falem de sentimentos. há em mim uma vontade de amor que não cessa. e no meu corpo o espaço do toque cabe nos palmos que conto enquanto me esfrego no banho. assumo minhas faltas. há em mim um espaço vazio que não cessa. e toda vez que preencho me sufoco.

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