ouço coisas de amor. e o amor, essa palavra clandestina, nunca me deixa impune. sangro tão feminina que me contorço. espasmos uterinos. é ainda sobre o amor? a vida se impõe; tento camuflar num ar distraído. os dias passam com uma certa facilidade. aleatórios em mim. esbarro nos calendários e saco sempre um relógio me apontando o tempo. estranhos me sorriem nas ruas. me reconhecem, de alguma forma. eu sou estranha. eu sou estrangeira. e outra vez, de assalto, meu coração. taquicardia. respira-respira-respira. placas vermelhas no meu peito. eu não me curo de mim. e num desequilíbrio-desatino me confundo no vocábulo. meu bem, não trate a vida assim na literariedade, eu disse. sou tão sincera que minha coluna dói.

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