agosto começou sem mim, querido, e eu esqueci de te dizer a segunda parte da poesia que te escrevi em março. covardia a minha (ou falta de lucidez, talvez). eu deveria te dizer das coisas todas, mas camuflei num e-mail e falei naquele tom conhecido. me joga um lenço na cara. diz que é para eu amarrar nos olhos e tapar essa verdade saltando de tela em tela enquanto o cursor pisca nossa vergonha de assumir. enquanto o dia avança meu estômago dói. não se afobe não que nada é pra já. eu deveria ter dito? o amor não tem pressa ele pode esperar. não me leve a mal, meu bem (não me leve bem também). foi esse fluxo de horas cortando nossa vontade de virar madrugadas. eu montei um sorriso bobo, você viu? eu quis fingir de olhinhos apertados - e no fundo tinha verdade a minha cena - mas meu peito acelerou tão forte que eu perdi a fala e o dedo travou entre as letras do teclado. minha janela, você entende isso?

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