02' jun. 2008: sinto o frio da culpa destes dias. isso me saltou na cara. e pensei num congelar de dedos-coração. meus pés estão gelados e eu nunca uso meias. tem a solidão das coisas sentidas. e então eu sinto. simples assim. coisa de pulsar, sangue fraco e cabeça tola. meus sentidos te comportam, eu pensei. mas não disse. eu nunca digo. há que se perceber no silêncio. e silencio. fácil, tão fácil que me perco nesse oco-vácuo-espaço de não dizer. ontem eu não sonhei. não sei se dormi ou se pisquei mais longo e o dia amanheceu. ouvi algo sobre a felicidade. inventei um barulho novo para minha emoção. ele acharia graça, de certo. chove há horas na cidade. e o céu vem descendo com essa névoa de presságios. agora, mãos geladas. sinto dormência. ele me olhava com aqueles olhos. lembro de um gesto particular. ele tinha ansiedade pelo meu toque. ou eu inventei tudo aquilo. nos dias que não sonho – ou não durmo – vejo cintilancias. há muita ilusão sobre essas coisas que se guarda no peito. perdi a noção do tempo naquele mês. aposto nas coisas impossíveis. e o que não for de sentir eu nego. as emoções nos custam tanto. perdi a linguagem, eu acho. voy a quedarme aquí. o que me falta é uma casualidade feliz.

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